Apetrechos de Pesca

Os apetrechos de pesca utilizados na pesca marítima brasileira são variados e apresentam uma série de peculiaridades de acordo com a região e com a espécie-alvo.

Arpão

Pesca de mergulho executada com uso ou não de suprimento de oxigênio. Geralmente é exercida com apoio de barco, nas áreas em que ocorre maior adensamento de peixes. Na captura é dada preferência ao pescado de maior porte, sendo usado como utensílio básico o arpão; eventualmente há captura de lagostas.

Armadilha fixa

Denominação adotada para as “camboas” de panagens ou esteiras, que são colocadas nas enseadas dos manguezais nas marés altas, presas em estacas fincadas na lama. Nas preamares, com o vazamento das águas, grande diversidade de pescado fica retida nas redes ou esteiras ou nas suas proximidades.

Arrastão-peixe

Rede de superfície que trabalha efetuando a captura, à deriva, conforme ela é arrastada pela corrente marinha. Conhecida também como boiadeira, é muito usada na pesca de cavala, serra, bonito e outros.

Arrastão de praia

Rede de arrasto tracionada manualmente, utilizada em praias, margens de canais e enseadas. Normalmente é levada a locais próximos da costa por botes a remo ou paquetes, onde é solta na água, de modo que os dois cabos ficam em terra para serem arrastados pelos pescadores. É uma rede de aproximadamente 150m a 200m de comprimento, por 3m de altura, confeccionada com náilon mono ou multifilamento, também conhecida como tresmalho.

Arrasto

Rede de arrasto de fundo “trawl net” destinada, basicamente, à captura de camarão. A abertura deste aparelho de pesca é realizada por duas portas, com o auxílio de um tangone de aproximadamente 8m de comprimento, localizado sobre o convés da embarcação. Dependendo das condições e da potência da embarcação, é possível arrastar uma rede (arrasto simples), duas (arrasto duplo) e quatro (arrasto gêmeos).

Caçoeira

Rede de espera de fundo utilizada na captura de lagostas, utilizada tanto por embarcações motorizadas como veleiras. As embarcações motorizadas utilizam redes confeccionadas com náilon multifilamento. O equilíbrio é conseguido por bóias de flutuação na tralha superior e, aproximadamente, 3kg de chumbo na tralha inferior. Em cada rede são colocados cinco calões (pedaço de madeira de 1,20m de comprimento por 30mm de diâmetro) que são fixados nas tralhas inferior e superior da rede. As embarcações a vela realizam pescarias de “ir-e-vir” e empregam de 10 a 20 redes de 50m cada. Também é conhecida como rede de espera para lagostas ou rede de lagosta.

Cangalha

Armadilha de fundo, semifixa, utilizada nas pescarias de lagosta, de formato retangular, revestida de náilon, possui duas entradas conhecidas como “sangas”.

Coleta manual

Pescarias que dispensam o uso dos petrechos de pesca tradicionais. Para tanto são utilizadas ferramentas tais como foice, estilete, varão, fisgas, etc. Conhecida também como operação manual e currupichel.

Coleta-caranguejo

É o método usado na captura do caranguejo-uçá, que consiste no fechamento das tocas com lama do próprio mangue, impedindo a fuga do animal, usando-se então a mão como instrumento para a retirada do caranguejo da toca.

Coleta-sururu

Método empregado para extração do sururu do fundo dos rios. Para facilitar a coleta, usa-se enxada ou gancho para afrouxar a lama ou areia onde se encontra o sururu.

Covo-camarão

Armadilha de fundo, semifixa, utilizada na captura de camarão. Tem o formato cilíndrico, com estrutura de palheta rígida, possuindo uma sanga na extremidade maior.

Compressor

Pescarias realizadas com o auxílio de compressor adaptado ao motor da embarcação, nas quais dois pescadores descem ao fundo do mar para localização de lagostas ou peixes. Sua captura é feita com o emprego de bicheiro, espingarda de pressão, arpão, arbalete, tarrafa ou mangote (lagostas). Vulgarmente conhecida como pesca de compressor ou pesca de mergulho.

Couca/Puçá

Rede de náilon em forma de cone ou saco, presa a uma armação fixa circular, em madeira ou metal, possuindo uma haste (cabo) pela qual é manuseado o petrecho. Durante o processo de coleta do pescado, sua boca fica voltada para cima. A pescaria é realizada durante a noite, preferencialmente no escuro. Um lampião a gás, localizado na proa da embarcação, é acionado, o peixe é atraído pela luz e capturado.

Covo-peixe

Armadilha de fundo, semifixa, utilizada na captura de peixes, de formato hexagonal, revestida com palheta tipo canabrava, tela de arame ou náilon. Possui uma ou duas entradas (sanga), também conhecida como manzuá-peixe.

Curral

Armadilha fixa construída em geral por estaqueamento, com o objetivo de reter peixes no seu interior, vulgarmente conhecida como armadilha fixa, curral de pesca, zangaria, camboa ou tapagem.

Espinhel

Pescaria que consiste na utilização de várias linhas com anzol, amarradas espaçadamente por distorcedores e uma linha mestra, na qual, horizontalmente esticada, se fixam duas bóias em suas extremidades ou na vertical com uma bóia e uma chumbada em uma das extremidades. Conhecido também como espinhel fixo, long line, espinhel de fundo, espinhel de superfície, espinhel flutuante, pargueira e grozeira.

Jereré

Rede com abertura fixada em armação redonda ou semicírculo de madeira ou ferro, tem o formato de cone ou saco, cuja boca é voltada para cima. Possui uma haste por onde é manuseado o petrecho. Conhecida também como puçá.

Linhas

Todas as pescarias com linhas de fundo ou de superfície, com comprimento variável em função da profundidade e das espécies a serem capturadas. O náilon utilizado é do tipo monofilamento, com espessura variando de 0,3mm a 2mm, possuindo um ou mais anzóis na extremidade da linha. Engloba os apetrechos conhecidos como linha de corso, linha de mão, linha de fundo, linha de superfície, etc.

Malhão

Rede onde o peixe é emalhado ou enredado na panagem, conhecida vulgarmente como rede de emalhar. Esta rede captura várias espécies de maior porte como cações, agulhões-de-vela e dourado.

Mangote

Redes de arrasto com comprimento em torno de 1,80m, geralmente utilizadas na praia, canais e enseadas, puxadas por um ou dois homens. Vulgarmente conhecidas como redinha, andarilho e pesca de calão, capturam espécies como bagre, saúna, camarão, manjuba e outros peixes pequenos. Em alguns Estados é utilizada também na pesca de lagosta com mergulho, mas neste caso apresenta menores dimensões.

Mergulho livre

Pescarias realizadas com bicheiro, espingarda de pressão ou arbalete e utensílios esportivos de mergulho para captura de lagostas, polvo e peixes como mero, xaréu, pacamão, bico-verde e arraia. Dois pescadores equipados com máscara, pés de pato e snorkel descem ao fundo do mar a uma profundidade de aproximadamente 5m. Apresenta importância na pesca esportiva.

Rede de agulha

Utilizada por embarcações motorizadas e veleiras. É um tipo de rede de cerco, com aproximadamente 150m de comprimento, confeccionada com náilon multifilamento. Objetiva cercar o cardume, principalmente de agulha e agulhão (tipo de agulha bem maior). Ao detectar os cardumes, a catraia, pequena embarcação conduzida para esse tipo de pescaria, é jogada ao mar com uma das extremidades do cabo da rede enquanto a embarcação realiza o cerco. Após o fechamento, a rede é recolhida manualmente e o peixe é transferido para o barco por meio de puçá.

Rede de arrasto

Rede de arrasto de fundo destinada a pescarias de camarão. Conhecida também como arrasto de camarão, arrastão, rede de balão, rede de puxada.

Rede de camarão

Rede de espera de náilon monofilamento, de 30mm a 40mm de diâmetro e malha estirada entre 2cm e 3cm.

Rede de cerco

Rede de emalhar que tem o objetivo de cercar os peixes. Muitas vezes os pescadores utilizam a “batida” na água para que os peixes se espantem e possam emalhar com mais facilidade.

Rede de espera

Todas as redes que ficam verticalmente na coluna d’água onde o peixe é emalhado, podendo ser de deriva (opera ao sabor das correntes) ou fixa, por meio de fateixas. Podem ser empregadas na superfície, meia-água ou fundo. Estas redes recebem várias denominações em função da espécie capturada ou tamanho da malha: caceia, tainheira, sauneira, pescadeira, grozeira, rede de alto, rede de fundo, sardinheira ou tresmalho.

Rede de tapagem

É um tipo de rede de espera, confeccionada com fio de algodão e/ou náilon multifilamento, com malhas variando de 20mm a 30mm de comprimento. As redes são colocadas na maré baixa, de uma margem a outra das camboas dos estuários. Fixa-se a tralha inferior com pequenos pedaços de madeira do mangue. Na maré alta, os pescadores mergulham e levantam a tralha superior, amarrando-a em estacas fixas, e aguardam que a maré fique de vazante para recolher os peixes e camarões retidos na rede.

Tainheira

Rede de emalhar utilizada, principalmente, em estuários. Destina-se à captura de tainha, pescada, carapeba, etc. Utilizam-se também uma rede de fio mais fino e malhas menores objetivando a captura de sauna (tainha pequena), carapeba, etc. A pescaria com tainheira/sauneira consiste em colocar as redes nos estuários. Após um período, elas são recolhidas, despescadas e novamente lançadas.

Tarrafa

Rede de encobrir que se abre quando lançada (formando um círculo) e se fecha naturalmente quando recolhida. É usada nas margens dos estuários e/ou no mar. A pescaria é realizada com ou sem apoio de pequenas embarcações, haja vista ser mais apropriada para águas rasas.

Tetéia

Aparelho de pesca utilizado pelos pescadores na captura de siri, também chamado puçá.

Ticuca

Aparelho de pesca utilizado pelos pescadores na captura de maçunim.

Tresmalho

Tipo de rede tracionada manualmente por 2 a 3 pescadores, confeccionada artesanalmente com fio de algodão ou náilon multifilamento, medindo entre 6m e 40m de comprimento. Empregada somente durante o dia na região estuarina, a uma profundidade média de 1,5m, destina-se à captura de camarão. Na tralha superior utiliza-se cortiça de madeira (mulungu), enquanto na tralha inferior não é colocada chumbada. No local de pesca, a rede é arrastada e, após um período, recolhida. Também conhecida como mangote quando se trata de rede de menor dimensão.

Observação

Algumas das modalidades de pesca acima descritas, em função da intensa exploração, principalmente na costa e no estuário, estão sendo objeto de restrições ao incremento de frota, vedando-se a inclusão de novas embarcações, a não ser em caso de substituições por desativação, destruição ou naufrágio. São consideradas frotas com esforço controlado/limitado: arrasto de camarões (Norte e Sudeste/Sul), linheiros para pargo (Norte/Nordeste), armadilha para lagosta e pargo (Norte/Nordeste), cerco para sardinha (Sudeste/Sul) e arrasto de fundo para peixes demersais (Sudeste/Sul).